{"id":47,"date":"2023-10-11T15:21:00","date_gmt":"2023-10-11T13:21:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.brunogalera.com\/blog\/?p=47"},"modified":"2024-09-22T15:23:24","modified_gmt":"2024-09-22T13:23:24","slug":"aphantasia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brunogalera.com\/blog\/2023\/10\/11\/aphantasia\/","title":{"rendered":"Aphantasia"},"content":{"rendered":"\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Agora eu enxergo \u00e9 nada<\/h6>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"769\" src=\"https:\/\/www.brunogalera.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/952d7768-7d0f-4eed-91d3-e758198a0163_1024x769.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-48\" srcset=\"https:\/\/www.brunogalera.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/952d7768-7d0f-4eed-91d3-e758198a0163_1024x769.jpg 1024w, https:\/\/www.brunogalera.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/952d7768-7d0f-4eed-91d3-e758198a0163_1024x769-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.brunogalera.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/952d7768-7d0f-4eed-91d3-e758198a0163_1024x769-768x577.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pessoas sentadas assistem ao p\u00f4r-do-sol na beira do rio IJ, que divide a esta\u00e7\u00e3o central de Amsterdam e a regi\u00e3o norte da cidade.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">#1<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o lembro exatamente quando nem onde foi a primeira vez em que me deparei com o conceito de&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Aphantasia\">aphantasia<\/a><\/em>. Algu\u00e9m me alertou a respeito? Caiu aleatoriamente no meu feed nas redes sociais onde n\u00e3o estou mais? S\u00f3 sei que faz alguns anos e envolvia&nbsp;<a href=\"https:\/\/blogs.exeter.ac.uk\/eyesmind\/related-links\/\">alguma das tantas repercuss\u00f5es na m\u00eddia<\/a>&nbsp;a respeito do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0010945215001781?via%3Dihub\">estudo contempor\u00e2neo mais detalhado do assunto<\/a>. A pesquisa foi feita pela equipe do professor Adam Zeman da universidade de Exeter e o&nbsp;<a href=\"https:\/\/ore.exeter.ac.uk\/repository\/bitstream\/handle\/10871\/17613\/Lives%20without%20imagery%20Letter%20version%20FINAL%2017.5.15%20.pdf?sequence=7&amp;isAllowed=y\">artigo mais famoso<\/a>&nbsp;publicado em 2015.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o conceito de&nbsp;<em>aphantasia<\/em>&nbsp;j\u00e1 havia sido abordado l\u00e1 em 1880 por Francis Galton (que, por sua vez, era primo de Charles Darwin. Mas vamos adiante).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto Galton conduzia uma de suas pesquisas, ficou meio abismado ao perceber que a propor\u00e7\u00e3o de seus pares cientistas que relatavam ser incapazes de entreter imagens mentais parecia ser ainda maior que a m\u00e9dia:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>To my astonishment, I found that the great majority of the men of science to whom I first applied, protested that mental imagery was unknown to them, and they looked on me as fanciful and fantastic in supposing that the words &#8220;mental imagery&#8221; really expressed what I believed everybody supposed them to mean. They had no more notion of its true nature than a colour-blind man who has not discerned his defect has of the nature of colour.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em&nbsp;<a href=\"https:\/\/ore.exeter.ac.uk\/repository\/handle\/10871\/17613\">estudos mais atuais<\/a>&nbsp;(2022), assume-se que por volta de 0.8% da popula\u00e7\u00e3o mundial \u00e9 incapaz de produzir quaisquer imagens mentais. J\u00e1 3.9% das pessoas n\u00e3o conseguem visualizar nada mentalmente ou t\u00eam uma vaga capacidade para tanto. E os estudos feitos por Zeman parecem refor\u00e7ar a percep\u00e7\u00e3o que Galton teve ao consultar seus pares l\u00e1 no s\u00e9culo 19:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.sciencefocus.com\/news\/people-with-aphantasia-are-more-likely-to-work-in-a-stem-field\">pessoas com aphantasia t\u00eam mais probabilidade de trabalhar nas \u00e1reas cient\u00edficas ou com grande base em exatas<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em retrospecto e fu\u00e7ando em todos os links que encontrei, acredito que tenha sido&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.sympathyforthesavior.com\/new-blog\/2018\/8\/15\/blind-in-the-mind\">esse post aqui<\/a>&nbsp;que me tragou para o fen\u00f4meno. Sei que na \u00e9poca me impactou profundamente saber que existia um nome e estudos s\u00e9rios para o que sempre experimentei desde que me conhe\u00e7o por gente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 ainda mais interessante que Zeman e sua equipe entraram em contato mais direto com o assunto ao receberem um paciente que come\u00e7ou a sofrer sintomas de&nbsp;<em>aphantasia&nbsp;<\/em>depois de uma cirurgia. Um tratamento recuperou parte da sua capacidade de visualizar coisas mentalmente, mas eles n\u00e3o imaginavam que ao publicar os resultados da pesquisa seriam contactados por dezenas de pessoas relatando a mesma hist\u00f3ria. Com uma grande diferen\u00e7a: todas essas pessoas narravam ter simplesmente nascido assim, sem citar um evento causador ou trauma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>*******<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fecha os olhos e imagina um\u2026<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o. N\u00e3o consigo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Lendo livro tal eu n\u00e3o conseguia tirar da cabe\u00e7a a cena tal e consegui me ver l\u00e1 dentro e\u2026<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>N\u00e3o \u00e9 que tu n\u00e3o sonha, \u00e9 tu que n\u00e3o lembra.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>T\u00e1 bem. Ent\u00e3o n\u00e3o lembro de 99% dos sonhos que tive na vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que perto da morte minha vida n\u00e3o vai passar na frente dos meus olhos como num filme?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>*******<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre foi um pouco frustrante, como descobrir que s\u00f3 resta 5% de bateria e o carregador ficou em casa. Achava tamb\u00e9m que era a raz\u00e3o por eu n\u00e3o conseguir desenhar muito mais que bonecos de palitinho e por ter problemas de orienta\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sorte a minha ter grande talento para c\u00e1lculo e ter dedicado toda a minha vida at\u00e9 aqui a trabalhar como engenheiro de acelerador de part\u00edculas e\u2026bem, deixa pra l\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">#2<\/h2>\n\n\n\n<p>Algumas recomenda\u00e7\u00f5es de coisas que me impressionaram, fascinaram ou emocionaram recentemente:<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Podcast:&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.pushkin.fm\/podcasts\/broken-record\/john-frusciante-part-2\">Broken Record com John Frusciante<\/a>: longa conversa do produtor Rick Rubin com o guitarrista. Como colaboradores de longa data, rende mais de 4 horas de conversa com insights art\u00edsticos, humanos e espirituais de um dos g\u00eanios de nossa \u00e9poca. S\u00e3o quatro epis\u00f3dios que recomendo fortemente, gostando ou n\u00e3o da m\u00fasica envolvida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>M\u00fasica:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/youtu.be\/SqPtIkxSxI0?si=msegTk9Rya9mcPR_\">Maggie Rogers no Tiny Desk<\/a>: n\u00e3o \u00e9 somente por ser uma das artistas favoritas da minha filha de 9 anos. Mas de tudo que tenho tentado consumir e entender da&nbsp;<em>nova gera\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/em>(tioz\u00e3o detected), Maggie Rogers para mim est\u00e1 muitos degraus acima. Apesar dos arranjos nos discos serem meio modernosos demais pro meu gosto (tioz\u00e3o detected de novo), o talento de composi\u00e7\u00e3o que ela demonstra me fez soltar a arriscada e abalizada avalia\u00e7\u00e3o em um frase de certo impacto que \u00e9:&nbsp;<em>mas \u00e9 a Joni Mitchell dos 2020\u2019s.&nbsp;<\/em>Dito tudo isso, aprecie essa performance de tr\u00eas dos hits dela em formato intimista e me diga que estou errado (melhor n\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agora eu enxergo \u00e9 nada #1 N\u00e3o lembro exatamente quando nem onde foi a primeira vez em que me deparei com o conceito de&nbsp;aphantasia. Algu\u00e9m me alertou a respeito? Caiu aleatoriamente no meu feed nas redes sociais onde n\u00e3o estou mais? 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